Nesta segunda-feira (12), a Apple liberou o Opera Mini na App Store, após exatos 20 dias, 08 horas e 31 minutos, cedendo à pressão do desenvolvedores e contrariando uma de suas regras: não aceitar aplicativos de terceiros que tenham a mesma função de ferramentas nativas do para iPhone OS — o Safari Mobile, no caso. Logo, o Opera se tornou o primeiro navegador disponível para os gadgets de Cupertino que não é baseado no Safari e tem uma infra-estrutura completamente independente.

Acontece que, no primeiro dia disponível, o App não empolgou. Muitos usuários reclamaram, através do Twitter e blogs, que a versão móvel do “melhor navegador do mundo que ninguém usa” é ruim e tem muitos problemas. Irônico, o engenheiro eletrônico e blogueiro Diego Messeri, do iPhoneApps, twittou: “Tá explicado pq a Apple liberou o Opera Mobile. Pq é uma merda. #iPhone”.
Testei o Opera Mini em um iPod Touch 2G e percebi que o aplicativo trabalha muito bem no carregamento das páginas, com a “visualização para celular” ativada ou não, apesar o Safari parecer um pouco mais rápido, no início deste processo. E uma coisa é certa: ele é muito mais leve na rolagem e não dá aquelas “travadinhas” com fundo transparente, comuns para quem conhece o navegador móvel da Apple. Poder optar por abrir imagens em resoluções mais baixas, para quem tem plano de dados limitado, também é outra vantagem — isso só é possível porque todo o tráfego é roteado pelos servidores da empresa, na Noruega, tornando o tamanho dos pacotes de dados que são enviados para o smartphone até 90% menor.
Porém, há algumas coisas que ainda precisam de correção. Durante os testes, foi muito comum esbarrar com o dedo em um link, durante a rolagem, e ele abrir acidentalmente — neste caso, o cache para voltar para a página anterior ajudou a diminuir o problema. No Safari, há um delay no toque para evitar isso.
O zoom em “pinça”, com dois dedos, também é outra falha. A sensibilidade é pequena e fica difícil deixar a área do tamanho desejado, principalmente em páginas com muito texto, onde o zoom “avança” para o bloco textual mais próximo do seu dedo. Aliás, esta é outra reclamação: o Opera Mini, assim como nas versões para outros sistemas móveis, cria vários “blocos de textos” com o intuito de facilitar a navegação, mas acaba desfigurando o layout do site. Em alguns casos, isso pode ficar bastante estranho.
Mas a maior falha que observei fica por conta dos vídeos. O iPhone OS não suporta Flash, que é usado nos players de muitos sites de vídeos, mas o Safari é capaz de rodar os vídeos em HTML5, como os incorporados do YouTube e da Globo.com. O Opera Mini não faz isso. No lugar, aparece aquela conhecida mensagem de que o plugin precisa ser instalado ou apenas um espaço em branco.
Apesar das falhas e algumas lacunas, só posso concluir que a entrada de um novo navegador, que trabalha diferente da opção nativa, cria uma concorrência que fará os usuários ganharem bastante no futuro. A aprovação do Opera Mini foi o primeiro passo. Outras versões virão, com correções e prováveis novas funcionalidades, e a Apple vai ter que dar mais atenção ao Safari Mobile, se não quiser perder espaço dentro do seu território.
Com informações do Basic Thinking

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